Brand experience: o que é experiência de marca e como construir a sua

PPedro Zanin
4 min de leitura
Brand experience: o que é e como construir a sua

Brand experience: o que é experiência de marca e como construir a sua

Existe uma diferença entre um cliente que ficou satisfeito e um cliente que vai contar para os outros.

A satisfação nasce quando o produto ou serviço entrega o que prometeu. A defesa espontânea da marca nasce de algo mais profundo: uma experiência que ficou na memória, que criou um sentimento, que fez aquela pessoa se sentir parte de algo.

Essa diferença tem um nome. Chama-se brand experience, experiência de marca.

O que é brand experience?

Brand experience é a percepção completa que uma pessoa forma sobre uma marca a partir da soma de todas as interações diretas e indiretas que tem com ela. Não é uma ação específica nem uma campanha. É o resultado acumulado de tudo que alguém vê, sente, experimenta e lembra em relação a um negócio, antes da compra, durante e muito depois.

Abrange todos os sentimentos, sensações e pensamentos que alguém associa ao negócio, desde a publicidade e o design do site até o atendimento ao cliente e os valores da empresa. Uma brand experience positiva constrói uma conexão emocional duradoura, que gera lealdade muito além de uma única compra.

Vale entender também como brand experience se relaciona com outros conceitos próximos.

User experience (UX) foca em uma interação específica com um produto, aplicativo ou site. Customer experience (CX) cobre todas as interações diretas ao longo da jornada de compra. Brand experience (BX) é a percepção mais ampla da marca, incluindo interações indiretas e sentimentos de quem ainda nem é cliente.

São conceitos relacionados, mas com escopos diferentes. Brand experience é o maior dos três e contém os outros.

Como a brand experience é construída em cada etapa da jornada?

A experiência de marca não nasce de um único momento. Ela é construída em camadas, ao longo do tempo, a partir de três grandes estágios da jornada do cliente.

Antes da compra.É aqui que a maioria das marcas perde a oportunidade.

O cliente em potencial pesquisa no Google, vê o feed do Instagram, lê uma avaliação, recebe uma indicação, visita o site. Cada um desses momentos já está construindo uma percepção, uma expectativa sobre o que aquela marca é e o que ela entrega.

Quando essa percepção pré-chegada é coerente com o que a marca realmente entrega, o cliente chega calibrado. Quando não é, a experiência começa comprometida mesmo que o produto seja excelente.

Durante a experiência.É o momento em que a promessa da marca se confirma ou se desmorona.

O atendimento, o espaço físico, o produto, o serviço, a equipe e os pequenos detalhes que ninguém pediu explicitamente, mas que criam a sensação de cuidado. Cada um desses elementos é um ponto de contato que fortalece ou enfraquece a percepção construída antes da chegada.

O consumidor contemporâneo é cada vez mais motivado pela transformação em vez da transação. As pessoas reservam para se tornarem algo, mesmo que seja apenas por um fim de semana.

Depois da experiência.A brand experience não termina com o checkout ou com a conta paga.

Continua no pós-venda, no e-mail de follow-up, na forma como a marca responde a um comentário nas redes sociais e na qualidade do relacionamento mantido com quem já foi cliente. É aqui que se decide se o cliente volta, indica e defende a marca espontaneamente.

Os pontos de contato pós-compra são frequentemente subutilizados ou ignorados como oportunidades de desenvolvimento de marca, mesmo que ofereçam o maior potencial para fidelização de longo prazo.

Qual a diferença entre brand experience e identidade visual?

Essa confusão é custosa, e vale nomear com clareza.

Uma marca com identidade visual impecável pode ter uma brand experience fraca se o que o cliente encontra na prática não corresponde ao que o visual promete. E uma marca com um design mais simples pode ter uma brand experience extraordinária se cada ponto de contato reforça a mesma percepção de cuidado, coerência e valor.

Identidade visual é o que a marca parece. Brand experience é o que a marca faz sentir.

O design cria o primeiro impacto. A experiência determina se a pessoa volta.

Como construir uma brand experience consistente?

Construir brand experience com intencionalidade começa por uma pergunta simples: o que queremos que o cliente sinta em cada etapa da jornada?

Antes de qualquer decisão de design ou comunicação, é preciso ter clareza sobre qual é a percepção que a marca quer construir. Essa clareza nasce do posicionamento, da decisão estratégica sobre quem é a marca, para quem ela fala e qual é a experiência que só ela pode oferecer.

A partir daí, cada ponto de contato pode ser projetado para reforçar essa percepção: o feed do Instagram, o tom do e-mail de confirmação, a forma como a equipe recebe, a textura de um material impresso, o aroma de um espaço.

Brand experience consistente não é fazer tudo parecer igual. É fazer tudo contar a mesma história, de formas diferentes, em contextos diferentes, para o mesmo propósito.

Porque o que as pessoas lembram de uma marca não é o que ela comunicou. É o que ela as fez sentir.

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